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Vida q. b.

A vida. Nem sempre escorreita mas também nem sempre difícil e onde sempre existe motivo para sorrir, mesmo que para disfarçar as lágrimas.

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20/09/16

Passeio com cão... desafios para a lombar

Cheia de dores na lombar. Olho o Boxer de grande porte que alegremente saltita na antecipação do passeio.

 

Peso a sua alegria com a certeza das dores dos puxões que dará à trela.

 

Mas os olhos de feliz antecipação fixos em mim não me deixam hipótese de escolha.

 

Tudo começa bem. Ao fundo da rua um gato cinza descansa no topo de um muro mas, o frenesim de liberdade do Boxer e a coberto da escassa luz, passa desapercebido. Respiro de alívio.

 

Mais uns passos “Zé… vou aqui com o meu cão.” Alerto o vizinho que em regra deixa a porta aberta para a sua pequena cadelita e o seu enérgico cão de pequeno porte poderem sair.

 

Estes surgem, a ladrar, mas um fraco toque na trela é suficiente para controlar o Boxer.

 

No topo da subida novo ladrar. Este cão está limitado no seu espaço mas é agressivo e eu acelero o passo, o Boxer acompanha-me.

 

Mais uns passos. Postura alerta do Boxer. Cheira, espreita, mas não vê. Por esta estou safa.

 

Uns metros, calmos, de passeio.

 

Lá à frente o Serra da Estrela parece não estar no seu habitual ponto de vigia junto à rede. Ainda bem.

 

Vou-me aproximando. Estamos quase a passar quando… o puxão quase me leva o braço. O Serra da Estrela surge acelerado na correria e no ladrar e o Boxer foge, atemorizado, levando-me a reboque. A dor é imediata. Mas perante o inesperado encontro com o portante Serra da Estrela não me resta senão acalmar e tranquilizar o Boxer.

 

Vamos entrando a zona da Gataria. Em regra não se deixam nem sequer ver e o Boxer apenas encontra rasto permanecendo num permanente estado de alerta mas claro que esta noite tinha de ser diferente.

 

Primeiro tenta desalojar um gato que se refugiou debaixo de um reboque. Tenta enfiar-se debaixo do pequeno veículo, uma impossibilidade física que a mente de um cão não consegue reconhecer.

 

O faro alerta para o caminho de passagem habitual da gataria. A barreira é demasiado ingreme para o Boxer e é fácil demove-lo de prosseguir na perseguição mas desta vez a gataria não mantém o sangue frio e atravessa o caminho numa correria, mesmo à minha frente. O puxão é ainda mais forte… gatos a fugir, a dançar à sua frente, é demais para o Boxer que tenta até atravessar as grades do portão por onde os viu passar em busca de refúgio.

 

Sem gatos à vista e apenas o rasto a apelar à sua atenção é-me possível (e às minhas pobres costas) continuar o trajeto, nas calmas. Não é expectável encontrar novos desafios até casa.

 

Pois, não é expectável nunca exceto esta noite (claro!). O gato cinza (do inicio lembram-se?) resolveu caminhar estrada fora e não corre suficientemente rápido antes fica expectante a ver se o Boxer não o vê, cinza sobre azul. Mas claro que vê e nada o consegue parar.

 

O gato foge, mas de seguida pára novamente, no meio da estrada, expectante, quando sente que o progresso do cão não é tão rápido quanto ele esperava.

 

Eu só quero que o gato desapareça, a minha coluna, o meu braço, só querem que o gato se refugie fora da vista do Boxer mas está hesitante e, por momentos, parece disponível a arriscar que eu consigo segurar a trela com força suficiente para o salvar. Por fim lá se convence da minha incapacidade contra a força violenta de um cão a tentar chegar à sua presa e salta de volta ao muro onde estava antes.

 

Desta vez, no entanto, o Boxer não desiste e uma fuga mais além revela-se necessária.

 

Longe da vista lá consigo convencer o Boxer a seguir para casa onde, com o meu pobre braço em sofrimento, me foge da trela. Por sorte os cães do vizinho a esta hora já estão fechados ou seria o bom e o bonito.

 

Ter um cão é das melhores coisas do Mundo, ser recebida com a sua alegria esfusiante faz-me sentir que tudo está bem no Mundo, mas é também um enorme desafio… que o diga o meu braço e a minha coluna.

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