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Vida q. b.

A vida. Nem sempre escorreita mas também nem sempre difícil e onde sempre existe motivo para sorrir, mesmo que para disfarçar as lágrimas.

Vida q. b.

A vida. Nem sempre escorreita mas também nem sempre difícil e onde sempre existe motivo para sorrir, mesmo que para disfarçar as lágrimas.

20/02/18

O Rio, Nós e o Tempo

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 Crédito da Foto: Dr. João Matos Filipe

 

Caminhava à beira rio, o rio que a prendia, que a havia visto crescer, o rio que reconhecia mesmo visto do céu.

 

Ainda recordava o regresso da primeira viagem ao estrangeiro de avião, um dia claro solarengo, a excitação de se sentir no ar, de ver tudo o que conhecia pequenino lá em baixo. Ia no lugar do meio mas juntava-se à F., sua amiga de sempre, para olhar pela janela sempre que havia algo que despertava a atenção. Desta feita foi o Comandante a alertar todos:

 

“Estamos a passar o Rio Mondego.”

 

Ambas tinham acorrido de imediato à janela, não identificando mais nada além de campos verdejantes, esticaram-se tentando descortinar algo na janela oposta mas era impossível. Retornaram à “sua” janela esforçando-se por descortinar o Rio. O fio de azul profundo a cortar o verde surgiu mas de imediato a verdade a havia atingido:

 

“Aquele é o Tejo."

 

F. retorquiu que o Comandante tinha dito que era o Mondego, mas ela sabia que era o Tejo. Não sabia como, mas aquele era o “seu” Rio, o Tejo.

 

As dúvidas de F. ficaram esclarecidas quando o avião curvou para seguir Tejo abaixo, e depois o sobrevoou, dando a curva para se alinhar com a pista.

 

Era uma visão do Tejo nunca tinha tido, a visão de pássaro, que, quem fica na margem, quem navega nos barcos, nunca tem. E é uma visão tão bela.

 

Bela como um sonho, bela mas também irreal, sem problemas, sem defeitos, perfeita na sua distância feita de altitude, apenas um rio de ouro e prata a brilhar ao Sol, agora, olhando da margem via os problemas, os defeitos, como cicatrizes.

 

Como as cicatrizes na sua pele todas tinham a sua história, algumas felizes outras (quase todas) menos felizes, as marcas do tempo que passa por nós mas também passa pelo Rio.

 

Antes de ela nascer já o Rio existia, muito do que para ela era hoje uma característica bela era de facto uma cicatriz.

A curva do Rio e a lezíria, marca indelével na sua paisagem, orquestrada pelos Romanos, há muito tempo atrás.

A Barragem, ferida ainda aberta que se foi transformando em marca na paisagem, causadora de pobreza quando bloqueou o aluvião e fez desaparecer os campos mais produtivos da sua margem direita a jusante ou quando encheu e inundou as Termas e campos de cultivo de igual forma.

Estas feridas, estas cicatrizes já existiam antes dela nascer e já lhe fariam falta se desaparecessem da "sua" paisagem.

 

A luta hoje é para sarar as feridas de hoje e não contra as já cicatrizadas feridas de ontem. Mas neste dia soalheiro em que caminha pela margem de um rio de caudal regular e azul límpido ao som da água corrente e do cantar dos melros enquanto uma águia pesqueira a sobrevoa lá do alto apenas sente a paz e a Primavera que se aproxima olvidando o Tempo que corre e tudo muda.

19/02/18

Chegaram as Andorinhas...

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Ontem pela tarde já o sol descia no horizonte chegaram.

 

Prenúncio de Primavera, as Andorinhas voltaram a casa.

 

Vi as coisas tão complicadas em 2017. As últimas partiram empurradas por nuvens de fumo tão infernais quanto o fogo que as produzia. A sua sobrevivência uma dúvida sempre presente bem no fundo da alma, mas eis que a esperança renasce...

 

Voltaram as Andorinhas. Existirá Primavera. A Natureza reencontra o seu equílibrio.

 

19/02/18

Vai formosa e segura Elina no laranjal...

Uma pequena (espero) nota prévia, relativamente à política encontro-me Desencantada. Desencantada com a generalidade da classe política onde quem não tem nível chega a altos cargos e quem tem nível, para poder agir conforme o seu bom senso e consciência, tem de chegar alto porque "por baixo", nas chamadas "bases", quem se atreve a divergir do discurso autorizado é colocado de parte e "desaparece".

 

Admiro e respeito os políticos (poucos e raros) que tomam partido e se levantam em prol do que consideram correto independentemente de quem propõe. Conheço alguns que o fazem cá fora mas, dentro de São Bento, dentro do partido, seguem a opinião geral (do partido), não é a esses que me refiro, refiro-me àqueles que, seja onde for pugnam pelo que consideram correto. E esses, repito, são raros, a grande maioria são políticos desde o 25 de Abril e estão em fim de carreira.

 

Ontem Rui Rio "surpreendeu" com a nomeação de Elina Fraga para Vice-Presidente. Parte do partido não gostou, ao que parece por Eliana Fraga, como Bastonária da Ordem dos Advogados, ter divergido publicamente e de forma bastante ativa do Governo PSD/PP de Passos Coelho.

 

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Fonte: DN

 

É um tomar de posição de Rui Rio e um "aviso" ao partido e talvez ao país.

 

Para mim, que olho de fora, fiquei com curiosidade sobre Eliana Fraga que, sendo PSD, pugnou pelo que considerava correto mesmo sendo diferente da corrente geral do partido, e mais importante ainda (especialmente para um país em que isto raramente acontece) não submeteu o cargo, para que foi eleita, de Bastonária da Ordem dos Advogados, à sua militância (pessoal) do PSD.

É bom saber que ainda há quem consiga separar as suas posições pessoais das posições que tem de tomar em representação de um coletivo que o elegeu como representante.

 

A reação do Laranjal não surpreendeu, nem surpreenderia em outro qualquer partido politico, em que este gesto

 

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é a regra, mesmo que contra o interesse do país.

 

Vamos agora ver como reage o partido, o país e a própria Eliana Fraga a este "sinal"de Rui Rio e à resposta do partido.

14/02/18

Poluição do Tejo: Análise pós Prós e Contras e uma conclusão sobre os Organismos Inspectivos

Vi com atenção o "Prós e Contras" desta segunda feira, lamentavelmente por motivos pessoais não pude estar físicamente presente (como pretendia), e fui processando o que fui ouvindo.

 

O Sr. Ministro do Ambiente não apresentou grandes novidades no discurso. O gráfico que apresentou era interessante. Atrapalhou-se quando questionado sobre o aumento da licença da Celtejo em 2016, que justificou informando que antes do aumento da licença a Celtejo poluia mais do que depois do aumento da licença.

 

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A Técnica Especialista em Recursos Hídricos presente terá sido tecnicamente correta mas, não estando dentro do processo, não conhecendo "as espécies não autócnones" introduzidas no Rio Tejo, limitou-se a debitar tecnicidades e legislações aplicáveis. A típica figura independente externa que programas de debate têm de ter mas que, pelo menos à superfície, parecem não trazer grande valor acrescentado, especialmente neste caso em que ao seu lado se sentava o Dr. Carmona Rodrigues.

 

 

O Dr. Carmona Rodrigues, também ele Técnico Especialista em Recursos Hídricos, mostrou conhecer não só a sua área mas o Tejo, da nascente à foz. Desconstruiu em segundos o argumento falacioso de que a poluição que se acumula em Vila Velha de Rodão vem de Espanha. De facto também flutua espuma em Toledo, outra espuma que não esta nem como esta, resulta da poluição urbana dos milhares de residentes da zona de Madrid, a parte sólida destes fica retida nas primeiras barragens a jusante de Toledo logo ainda em Espanha, a líquida vai se diluindo ao longo do curso do rio e nas águas reforçadas pelos afluentes, alguma chega de facto mas não a suficiente para justificar o que se está a passar em Vila Velha de Rodão, e os resíduos sólidos ali encontrados são celulósicos.

 

 

O Arlindo Marques foi um Arlindo calmo, de quem vê que a sua luta não foi em vão, que as coisas estão a mexer e que o Rio Tejo talvez consiga sobreviver.

 

 

O Dr. Vasco Estrela foi o Dr. Vasco Estrela, Presidente da Autarquia de Mação, defensor do seu concelho e do que o prejudica.

 

 

O Dr. Luís Pereira foi o Dr. Luís Pereira, presidente da Autarquia de Vila Velha de Rodão, a postura que teve é a que tem tido ao longo de todo este tempo. Dirão que defende os postos de trabalho no seu concelho, eu responderei que os postos de trabalho das celuloses não estão em risco, o mundo está cheio de empresas de celulose que laboram dentro da legalidade, já os postos de trabalho na área turistica (Monumento Nacional das Portas de Rodão, Museu Municipal, Restaurantes, Passeios no Rio, Parque de Campismo, e outros) estão em risco ou já perdidos. Não ridicularizo a torpe tentativa de responder aos pescadores que o Lagostim (espécie não autóctone) causa estragos ambientais graves pois todos sabemos que a não controlada introdução de espécies não autóctones (lagostim, lúcio perca, siluro) tem de facto consequências graves para a fauna e o equilibrio ambiental do Rio Tejo; não é, no entanto, o causador da poluição.

 

 

Somos chegados à APA e à sua Inspeção e chegados também a um problema bem mais grave que é transversal em todos os sectores: As Inspeções não existem para Inspecionar, as Inspeções existem para passar multas e desta forma arrecadar receita para o Estado.

 

 

É assim em todos os Sectores. Os crimes, sejam eles ambientais ou outros, em regra só após um grande processo de investigação resultam em condenação de um (ou mais) agentes, condenação essa efectuada por Juíz em Tribunal; a Inspeção quer multar hoje, quer receber hoje, para isso tem de saber quem foi o agente por isso inspeciona o Agente que "tem por objectivo" multar. Não é o Interesse Público que está em causa é a Receita do Estado.

 

 

Assim o Rio Tejo, como outros, passou à margem. As Inspeções são feitas nas empresas e, com mais frequência que se desejaria, estas "sabem" que os inspetores estão para vir, ou que os inspectores não vêm à noite, nem fora dos horários "tais" e "tais" (de relembrar que decorreu por anos uma greve às horas suplementares de várias Inspeções).

 

 

O enfoque foi feito nos processos administrativos, nas multas que os Tribunais reduzem, omitindo que por certo o fazem porque a Lei o permite.

 

 

O Deputado do PSD, Duarte Marques, foi o Duarte Marques. O Rio Tejo está acima da política, é apolítico. Deu, talvez, o maior choque ao Sr. Ministro e a maior surpresa à Fátima Campos Ferreira, ao elogiar as últimas decisões do Sr. Ministro. Não me surpreendeu a mim nem a ninguém da plateia, é o Duarte Marques.

 

 

Os ambientalistas falam de forma mais técnica e tentam alargar o âmbito da discussão para cumprir as suas agendas. Nada de novo.

 

 

Os pescadores sofrem na pele. Vêem autoridades a priviligiar umas vidas e deixando caír outras. A vida de 3 centenas (?) trabalhadores da industria já valeu a vida de 1042 pescadores, como se a vida de pescador valesse menos. Hoje não há peixe para pescar no Rio Tejo. Com a água que a Espanha está a enviar não vem peixe. Para o repovoamento do Rio provavelmente não bastará a Natureza.

 

 

Os que investiram na àrea turística não vivem melhor sorte. Mesmo que tenham peixe para servir (vindo do Alqueva ou de outro qualquer local) e lampreia (de França) os clientes não os querem comer quando olham pela janela e observam as águas ou mesmo tempo que as suas narinas são invadidas pelo cheiro nauseabundo. Também a vida destes parece valer menos que a dos trabalhadores do sector industrial.

 

Quanto a Fátima Campos Ferreira, não partilho da sua opinião relativamente ao processo que a Celtejo colocou ao Arlindo Marques. Espero que não dê em acordo e elaboro o porquê.

O Arlindo solicitar acordo é assumir-se como culpado, o que ele não é pois a razão assiste-lhe.

A Celtejo retirar o processo ou solicitar acordo é assumir-se ela como culpada e já vimos que nunca o fará.

Apenas me preocupa uma coisa, o Segredo de Justiça imposto pelo DIAP de Castelo Branco. Mesmo que os resultados da análise resultem em provas a favor do Arlindo estas não poderão (pelo que percebo) ser usadas pela sua defesa. É talvez mais uma acha para a fogueira debaixo do DIAP de Castelo Branco que Miguel Sousa Tavares ateou.

 

 

14/02/18

Constança ou a importância de se ser Constância

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 Fonte: Médio Tejo

 

Muito se tem (finalmente) falado do Rio Tejo. O estado a que, apesar dos alertas das populações, se deixou chegar este importantíssimo Rio Ibérico é chocante e a reação (ainda que pouco inflamada por motivos que já elaborei aqui e a que Miguel Sousa Tavares aludiu na SIC) só peca por tardia.

 

Muitos se têm referido à situação. Miguel Sousa Tavares tem sido acutilante e "on the nose" trazendo à praça pública factos menos conhecidos do grande público e sem medo de "por os nomes aos bois". O "Prós e Contras" da passada segunda feira foi dedicado ao tema, as "inocentes" empresas não aceitaram o convite para estarem presentes "deixando" o presidente de Vila Velha de Rodão com o pesado "encargo" de defender o indefensável, enquanto os restantes munícipios e Comunidades Intermunicipais ribeirinhos, com a clara excepção de Mação, marcaram pela ausência dos respectivos presidentes.

 

Folgo, folgamos todos, pois o Tejo é de todos nós, em ver que, pelo menos, o grande público tem agora conhecimento desta situação, ainda que, objectivamente e conhecendo Portugal, num amanhã que chegará mais cedo que devia, surgirá alguma crise futebolística que causará escândalo nacional impulsionado (como habitualmente) pelos media do Grupo Cofina (proprietário via Altri da Celtejo, da Caima e da Celbi).

 

Mas vinha tudo isto a propósito de uma coisa tão prosaica quanto a repetição de um erro que não sei se classificar de ortográfico se geográfico que tem "criado" uma vila à beira Tejo de nome Constança.

 

Constança é uma vila que tem ganho presença na comunicação social. Miguel Sousa Tavares, Diário de Notícias, Ministro do Ambiente e muitos outros a ela se referem amiúde. Uma honra para qualquer vila se a vila de Constança existisse, o facto é que não existe vila com tal nome.

 

Existe a vila de Constância, vila ribeirinha incontornável da bacia hidrográfica do Tejo por diversos motivos, entre os quais:

 

1 - está localizada onde o Rio Zêzere encontra o Rio Tejo;

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 Fonte: Radio Hertz

 

2 - tem uma comunidade piscatória com grandes tradições culturais e religiosas;

 

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 Fonte: Cidade de Tomar

 

3 - é a localização da celulose Caima (Grupo Altri)

 

Caima.jpg

 Fonte: Caima

 

Estranhamente (ou talvez não) Constância tem estado "silenciosa" mesmo na defesa do seu próprio nome.

 

 

Um nome que lutou por ter, que recebeu como recompensa em 1836, substituindo a anterior não apreciada toponímia de Punhete, mas que, com o seu silêncio e ausência nos últimos tempos, tem visto substituido por "Constança" com uma regularidade e a tal nível que se torna cada vez mais difícil corrigir o erro a quem tenta corrigi-lo.

 

Será a toponímia "Constância" mais uma "vítima" desta espuma que turva o Rio Tejo?

 

 

12/02/18

Rio Tejo - Inesperadamente ou talvez não Notícia do Correio da Manhã - A espuma nauseabunda passou por Lisboa...

... e flutua agora o Atlântico, em risco de ir dar a uma qualquer praia a Sul.

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Fonte: Jornal Sol 

 

A notícia é, inesperadamente ou talvez não, do Correio da Manhã, "Manchas de Espuma atingem o Mar da Palha"

 

Era expectável que a espuma viesse até à Foz, ao Mar da Palha. Não é inesperado que os pescadores a tivessem avistado, desde à muito, a navegar o Mar da Palha. Isto não é surpresa nenhuma.

 

Surpresa é a notícia ser Correio da Manhã, mas se pensarmos bem não o é de todo.

 

Para quem acompanha a CMTV, o Correio da Manhã, ao contrário do que é habitual, não tem dado o "acompanhamento" que nos habituou noutros casos que, subsequentemente, incendiaram as redes sociais.

No seguimento do post A Espuma nauseabunda do chico-espertismo e do Trumpismo à portuguesa - Sobre a Poluição do Tejo muitos me questionaram e se mostraram chocados por um assunto destes não estar a incendiar as redes sociais.

O facto é que está mas não de forma nacional porque lhe falta o "Incendiário Nacional-Mor", o Correio da Manhã e a sua CMTV.

 

A "justificação" é simples a Celtejo (detentora de licença para enviar para o Tejo quase 90% da poluição autorizada pela APA), pertence ao Grupo Altri. Ora o Grupo Altri resultou da reestruturação do Grupo Cofina quando este Grupo resolveu separar o sector dos media (que inclui o Correio da Manhã, o Destak, o Record, o Jornal de Negócios, a Sábado, a TV Guia, a Máxima) do industrial (Celtejo, Celbi, Caima).

 Ou seja, a Celtejo e o Correio da Manhã respondem ao mesmo "Dono".

 

Agora muitos já estarão a perceber o porquê, não só do silêncio e da falta do "incendiar" nacional das redes sociais, mas o ser o Correio da Manhã a noticiar o avistamento de espuma em Lisboa.

 

Na sua lógica ilógica, se a espuma está a ser "aspirada" em Abrantes mas está a aparecer em Lisboa então o foco não é em Vila Velha de Rodão...

Os meus avós chamariam a isto "tapar o Sol com a peneira", eu chamo falta de vergonha.

12/02/18

Futsal - Gánhamos. Mereceram...

Futsal Euro 2018 Portugal Campeão.jpg

Fonte:UEFA

 

... não foi todo o Portugal que mereceu o Título de Campeão Europeu de Futsal mas apenas o Portugal que "vê" além do Futebol 11.

 

Sou bruta, dirão. Todos ficámos orgulhosos e felizes, dirão.

 

Sim, de facto, todos ficámos orgulhosos e felizes mas há uma enorme diferença entre quem se orgulha da caminhada desta modalidade (Futsal) e desta equipa, que acompanhou, que apoiou, por quem sofreu, que tem visto reconhecidos valores individuais e colectivos lá fora mas pouco cá dentro onde faz parte de uma minoria; daqueles que se orgulham apenas por ver chegar um novo troféu internacional conquistado por Portugal para rechear a "prateleira" da Federação na Cidade do Futebol e que amanhã, se ninguém os lembrar, já esqueceram.

 

A prateleira da Cidade do Futebol está cheia de exemplos destes, não é sequer necessário ir muito longe está logo ali pouco distante do troféu agora conquistado, a Taça do Mundo FIFA em Futebol de Praia (ganha em 2015) secundada pelo Trofeu de Campeão da Europa desse mesmo ano.

 

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 Fonte:FPF

 

Já não lembravam? Nem eu, infelizmente. No entanto lembrava a Taça que fica entre aquelas e a de anteontem, a do Euro 2016 de Futebol 11. Não digo lamentavelmente porque é importante recordar também essa, a questão é que todas deveriam ser assinaladas e lembradas da mesma forma e não são.

 

A equipa campeã, os jogadores e jogadoras de Futsal deste país e as suas equipas técnicas, os seus familiares e apoiantes de sempre, a Federação Portuguesa de Futebol pelo seu apoio, estão de parabéns. Portugal também mas...

Facto representativo disto mesmo, onde estava o Sr. Presidente da República que não foi assistir à final do Euro Futsal 2018 à semelhança do que fez com a final do Euro 2016 de Futebol 11? Não pode ir a todas? Até posso concordar mas também não posso deixar de notar que essa presença / ausência é reflexo de um Portugal focado no Futebol 11, onde as outras modalidades ficarão sempre aquém desta.

 

Querem mais exemplos:

 

1 - O Ricardinho merece mais que uma comparação com Cristiano Ronaldo. O Ricardinho é único, ganhou à muito o direito de não ser comparado a ninguém.

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Fonte: UEFA

2 - O autocarro fez o trajecto Aeroporto / Belém rápido demais. Bem sei que era domingo, domingo de Carnaval ainda por cima, mas mesmo assim não pude deixar de notar que os automóveis, na faixa contrária, na sua esmagadora maioria, continuaram na sua vidinha, lá havia um outro que buzinava mas pouco mais.

 

3 - A recepção do Presidente da República foi curta e nem ao exterior, à varanda, vieram.

 

Nota positiva à Sr. Ministro da Educação nesta ocasião. Gostei das suas palavras. Gostei que se tivesse referido ao Desporto Escolar. O Desporto Escolar é importante para apresentar modalidades a esta juventude de pais e comunicação social centrados no futebol 11 é assim que descobrem modalidades que nem imaginavam que existiam, que aprendem a gostar e, eventualmente, crescem a praticar.

 

Nota Final para:

1 - Renovar os Parabéns a esta equipa. Parabéns pelo vosso trabalho e pelo vosso acreditar.

 

2 - Parabéns ao Ricardinho. Merecia. E deu para perceber que os colegas pensavam exactamente o mesmo que eu o que indica o quão excepcional ser humano e colega o Ricardinho é. Obrigada por seres português (numa modalidade que troca de nacionalidade é tão usual).

 

3 - Parabéns à equipa (jogadores e técnica) e, em vós, parabéns a todo o Futsal, modalidade que me faz os nervos em frangalhos mas à qual adoro assistir muito devido ao enorme fairplay de que todos vós são exemplo maior.

08/02/18

Silêncios Peculiares

Há silêncios peculiares que, se ninguém os referir, passam despercebidos. Exemplo disso é o Silêncio de S. Excª o Presidente da República Portuguesa relativamente às vidas destroçadas de quem vive da pesca no Rio Tejo.

 

Todos o observámos a confortar alguns dos que sofreram com os incêndios de 2017

 

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Crédito da foto para a Lusa/EPA

 

e nesses alguns, na impossibilidade física de Marcelo Rebelo de Sousa abraçar-nos a todos, vimo-nos e sentimo-nos a todos.

 

Os pescadores que vivem do Rio Tejo vêm sofrendo, à anos, devido, em elevada medida, a decisões governamentais que os penalizaram.

 

1045 tiveram, desde 2012, de encontrar outro ganha-pão ou entregar-se a míseras pensões que mal dão para sobreviver. 1045 !!!! (fonte Diário de Notícias )

 

De Sua Exc.ª o Presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, a quem foram, ao longo do tempo, enviadas missivas, apenas silêncio e ausência.

 

Embora duplamente martirizados: à anos pela morte do Rio e pelos os incêndios que também os assolaram com violência em 2017 ao Presidente dos "Afetos" parece não terem sobrado Afetos para estes portugueses

 

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Francisco São Pedro, Pescador do Arneiro, incansável na denúncia dos males feitos ao Rio Tejo, "apanhado" em momento de especial comoção no dia 2 de novembro de 2017, dia em que o Tejo "acordou" com uma camada flutuante de Peixe morto. Fonte: Arlindo Consolado Marques )

 

 

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 Maria dos Anjos Paiva, 61 anos, pescadora de Abrantes. Foto: mediotejo.net

 

05/02/18

A Espuma nauseabunda do chico-espertismo e do Trumpismo à portuguesa - Sobre a Poluição do Tejo

Tenho andado em silêncio à la "Uma Thurman"; tentando controlar a minha fúria antes que diga algo de que me arrependa; não sei se consegui, vós me direis.

 

Nasci à beira Tejo. Um Tejo de águas limpas. Ainda que já existissem fábricas de celulose em Vila Velha de Rodão o impacto era, à vista (pelo menos) inexistente, e o Tejo era a nossa praia de sempre.

 

Tudo isto acabou. Primeiro foi a selvajaria dos areeiros. A extração de inertes transformou os areais, onde antes estendiamos as toalhas, em pedregais; simultaneamente o leito do rio ia descendo ao ritmo a que os inertes iam sendo retirados tornando os pedregais cada vez mais extensos e o rio cada vez mais estreito.

 

Depois veio a privatização do sector da energia electrica, a gestão de caudais nas barragens deixou de se "submeter" ao interesse público para se submeter à lógica mercantilista. De um momento para o outro não se discutia só o problema do caudal que os Espanhóis permitiam que passasse a fronteira mas também o caudal que as barragens da bacia hidrográfica do Tejo permitiam que as atravessasse.

A flutuação de caudais a jusante das Barragens ia de cheio a quase seco em segundos deixando peixe a morrer em seco para gáudio das cegonhas e desovas a secar ao sol, peixe que nunca iria nascer, e de quase seco a cheio a velocidade de corrida de qualquer incauto mais distraído à beira de água que de certo não se livrava de molhar pelo menos os calcanhares enquanto corria no pedregal.

 

Entretanto veio a seca. A situação dos caudais agudizou-se. Eram baixos, extremamente baixos, o Tejo atravessava-se a vau sem que a água sequer chegasse ao joelho ou nos ameaçasse de desequilibrio em alguns locais. Não era já um dos três grandes rios ibéricos era sim um ribeiro um pouco maior do que o normal.

 

E a água ficou negra. Já vai há mais de 3 ou 4 anos que um velho pescador, hoje já falecido, se entristecia ao ver o "seu" Tejo da cor do petróleo, sem um peixito que fosse a pular nas suas águas. E a espuma, meu Deus, a espuma, acastanhada, nauseabunda.

 

O cheiro da água do rio "viajava" quilómetros, cheirava a morte mas as industrias de Vila Velha de Rodão votavam os "pedidos de ajuda" a devaneios de loucos no silêncio da sua "inocência".

 

Desde que isto começou mudou o Governo. Deputados da AR, sempre os mesmos, todos os do distrito de Santarém com excepção dos do PS, se apresentaram a "gritar" connosco, ali ao lado do rio, em contexto de Governo PSD/PP e depois de Governo PS; mas nada além de "palavras" de circunstância e de autorizações e licenciamentos para coisas ainda piores vinha de Lisboa.

 

Em Lisboa o Tejo é largo e a esmagadora maioria dos cidadãos à muito o considera apenas como uma boa imagem de fundo; não lhes interessa que com o baixo caudal do Tejo vem a salinização do Mar da Palha (para quem não sabe é esse o nome do "Mar" que o estuário do Tejo forma) e que essa salinização tem implicações gravissimas.

O Tejo ali não cheira pior do que cheirava antes, a água não é mais escura do que era antes (e mesmo que seja nem para ela olham), é navegável e atrai os turistas e isso é o que basta.

 

Mas as coisas mudaram, muito, a Celtejo deu por findo o "Silêncio dos Inocentes" processando o Arlindo Consolado Marques.

O Arlindo tem sido extraordinário na divulgação de todos os crimes ambientais que vai detetando na bacia hidrográfica do Tejo; o que começou como um levantamento pessoal dos males que ia vendo e que publicava no seu YouTube e Facebook, encontrou eco naqueles que viam e sofriam pelo Tejo e pelas suas vidas despedaçadas em espuma e negridão de morte que não tinham os recursos de equipamentos e destria para publicar os videos mas queriam que as pessoas soubessem o que estava a acontecer.

Esta junção de saber de todos os habitantes e pescadores da beira-rio com literacia tecnológica fez do Arlindo o defensor do Tejo que hoje todos conhecem, mas também o colocou na mira de tentativas de homicidio e de processos judiciais.

 

Mas a quebra do silêncio da Celtejo não correu como esperavam. Primeiro porque o Arlindo não se amedrontou nem se politizou, manteve-se fiel a si próprio e ao Tejo. O Tejo merece ser defendido e o Tejo é de todos nós, da nascente à Foz; ao longo das margens do Rio dos concelhos de Mação a Vila Franca de Xira os apoios, de Municipios, Associações, privados ao Arlindo foram-se multiplicando. Segundo porque se deu o descalabro.

Logo passado uma ou duas semanas Abrantes "acorda" com espuma acastanhada que atingia a altura de 1 metro sobre um Tejo negro retinto. O Arlindo chegou rapidamente e as imagens encheram telejornais. A incúria, o compadrio, o deixa andar, chocou Portugal especialmente quando se percebe que os Presidentes dos Municipios de Nisa e Vila Velha de Rodão estão ao lado do(s) poluidor(es) mesmo quando confrontados com as imagens chocantes da espuma em Abrantes e Mação. Do lado oposto os Presidentes dos Municipios de Abrantes e Mação.

 

O Ministro do Ambiente, atabalhoa-se, como habitualmente, tropeçando em meias soluções e em chutos para o lado. Parece que a culpa, para o Sr. Ministro é da Natureza, que não teve capacidade de processar os efluentes poluidores; numa primeira fase de "justificação do injustificável" a culpa não é do facto de com efeitos a Maio de 2016 a APA ter licenciado a Celtejo a aumentar a poluição que deitava ao rio até 18 de dezembro de 2018.

 

Não interessava nada que nessa altura a seca já estava a iniciar, que os baixos caudais que atravessavam a fronteira aliados ao nível de poluição que estava já autorizado (e que se disse na altura já estar a ser excedido impunemente) estavam já havia muito a causar problemas a quem vivia do Rio, há que autorizar o aumento até porque a actividade piscatória dá poucas receitas à Administração Local e Central e não tem tanta influência nem poder.

 

Os meus leitores atentaram à data de 18 de dezembro de 2018 certo? Provavelmente estão a pensar o mesmo que eu. A Celtejo contou com a lentidão da Justiça. Processa o Arlindo agora, até que os Tribunais avancem, entre férias judiciais falta de pessoal e pilhas de processos, o caso chega a Tribunal já os níveis de poluição deles está mais baixo, o Arlindo perde pois não consegue provar que a poluição entre 2010/11 (sim leram bem) e 2018 veio da "inocente" Celtejo e, uma vez condenado este "ativista", servirá de aviso, nunca mais ninguém terá coragem de enfrentar os "Donos Disto Tudo".

 

Duas notas:

 

- O efeito inesperado de um processo desenhado para silênciar para sempre a Sociedade Civil foi juntar mais gente à "revolta" e obrigar o Ministério do Ambiente e a APA a agir como nunca agiram. Como? Pela primeira vez mergulhadores foram fazer levantamento das lamas à saida do tubo de descarga; Pela primeira vez os serviços da APA estão a tirar amostras diárias e o roubo de amostras junto à saída do tubo de descarga da Celtejo e a necessidade da Policia estar no local (e mesmo assim terem desaparecido parte das amostras) apenas faz aumentar ainda mais a convição geral de que algo está muito mal;

 

- O uso da expressão "Donos Disto Tudo" é propositada e não diz apenas respeito ao Tejo. As celuloses encheram o país de eucalipto. Eucalipto que ardeu e expandiu o fogo através das suas cascas e das suas folhas em chama ajudando à rapida propagação dos fogos deste Verão. O eucalipto que seca os solos, sendo mesmo proibido plantá-lo junto a nascentes de água porque as seca (será que isto é fiscalizado?...Sim,pois...), vai tomando conta do país porque é o que interessa às Celuloses. As Celuloses "mandam" em terra e na água neste Jardim à Beira Mar plantado.

 

O que me enfurece são várias coisas:

 

1. Apesar da gravidade da Poluição do Tejo já ter vários anos, da luta das populações ribeirinhas pelo Tejo ter anos parece que só agora é que aconteceu;

 

2. Que a APA e o Ministério do Ambiente andam à anos supostamente a tirar amostras cujos resultados foram sempre inócuos (nem me perguntem onde é que tiravam as amostras porque isso apenas me enfurece ainda mais, apenas uma nota, nem sempre era no Tejo). Isto quando começou a APA atirar amostras porque antes valiam as tiradas pelos Poluidores autorizados;

 

3. Que a Celtejo continua a alegar que nada tem a ver com a poluição vísivel no Tejo. Embora isso já seja uma evolução pois no processo contra o Arlindo afirma que nem poluidora é, o que é estranho dado que se não o fosse não necessitava de Licenciamento da APA para o ser;

 

4. Que o Ministro do Ambiente é um aspirante a Donald Trump. Desde o transporte de água por comboio do Entroncamento para a zona de Viseu (dois problemas: O Entroncamento é na bacia hidrográfica do Tejo e não é boa ideia retirar água de onde ela já escasseia; vagões tanque de transporte de água existem apenas num país da Europa, que tem bitola europeia, mesmo que nos emprestassem os vagões teriam de chegar cá e ser ajustados para circular nas nossa bitola ibérica); a o "problema" é da água "do Tejo que nos últimos tempos parece ter saturado”; a o problema é da “natureza não está a conseguir depurar a quantidade de matéria orgânica que está a aparecer e se transforma em espuma quando passa em Abrantes”; tudo seria hilariante se não fosse tão triste.

 

 

Remato ainda com outra afirmação do Sr. Ministro a de que “Estamos a fazer essas mesmas recolhas com a certeza de que o problema que temos à nossa frente é um problema com uma dimensão que não resulta certamente da descarga A ou da descarga B, o que não quer dizer que elas não possam ter existido” numa afirmação digna de La Palice; a culpa é de muitas descargas, anos delas, mas da mesma "fonte"; "Fonte" que tem passado incólume, intocada e intocável, sob a "proteção" de alguma Administração Local e da Administração Central, a "proteção" desta última eu até poderia considerar "inocente" incúria não fosse durar há tantos anos e atravessar Governos de diferentes quadrantes políticos.

 

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